quarta-feira, janeiro 17, 2007

"Pobres dos Ricos"!!!

O pouco que ouvi, e li, da intervenção de Maria José Morgado, hoje, no Parlamento fez-me lembrar uma questão que desde há uns tempos tenho debatido com alguns leitores deste blogue e lá do outro. Falo em concreto da real situação da prática do aborto em Portugal. Sim, porque , e deixemo-nos de argumentos falaciosos, o aborto em Portugal não é só o chamado aborto de "vão-de-escada", e como algumas leitoras têm demonstrado, por vezes falando de situações que se passaram com elas próprias, há inúmeras clínicas que praticam a IVG por cá, em condições de segurança e higiene e sem qualquer atentado à vida da mulher e muitas delas até financiadas por grupos que defendem abertamente o Não.
Essas clínicas actuam à margem da lei, com lucros brutais e não declarados, e continuarão a actuar, a não ser que no caso de depois do referendo a penalização continuar a PJ e o MP iniciem uma senda contra o aborto clandestino em Portugal, o que até deviam fazer, porque a lei é para cumprir seja ela qual for e não há cá crimes sem penas.
Mas o que se tem debatido, e esta é a parte que eu quero focar a sua atenção, é que o recurso a esta clínicas é mais ou menos semelhantes ao recurso às clínicas da raia, leia-se, são acessíveis a quem tem dinheiro (ironia do destino) remetendo as pobres, aquelas que não têm o mínimo de condições de criar uma criança, que já é a quarta ou quinta (ouçam a reportagem que aconselhei aqui), ou é uma jovem ( e vamos assumi-lo: a educação sexual em Portugal não existe nem na escola, nem nas famílias) que engravidou e não quer ter um filho agora e quer escondê-lo dos pais para o "vão-de-escada". Sim, porque é a estas que se quer proteger, é para estas que se deve melhorar o planeamento familiar, que graças aos médicos, como o dr. Albino Aroso, melhorou a olhos vistos nas últimas décadas, são estas que chegam aos hospitais entre a vida e a morte devido a um aborto mal feito. Não é a quem pode, porque quem pode ou não quer saber desta discussão ou, alguns deles, andam por aí cheios de moralismos e depois "mordem" pela calada.

5 Comments:

Blogger Iosef, sj said...

Mentiras do Ministro (in http://bloguedonao.blogspot.com/)

"O ministro da Saúde revelou à SIC o que poderá mudar após o referendo ao aborto. Cada intervenção poderá custar ao Estado entre 350 e 700 euros" (Sic, 4-01-2007).
Ora, no dia 12 de Junho de 2006, foi publicado no Diário da República a Portaria n.º 567/2006, que aprova as tabelas de preços a praticar pelo Serviço Nacional de Saúde. A referida Portaria, que pode ser consultada no site do Instituto de Gestão Informática e Financeira da Saúde, estabelece na página 4195 os preços dos abortos no SNS, a saber:
- 829,91 euros, para o aborto sem dilatação e curetagem e
- 1074,45 euros, para o aborto com dilatação e curetagem, curetagem de aspiração ou histeroctomia.
Verifica-se, pois, que a média do preço por aborto que o Senhor Ministro disse que o mesmo iria custar corresponde a metade da média do preço por aborto estabelecido na lei que o Senhor Ministro aprovou em meados do ano passado.
Importa, pois, exigir ao Senhor Ministro da Saúde que nos diga se se tratou de um lapso, de uma mentira ou se vai mesmo instituir épocas de saldos na saúde.

2:05 da tarde, janeiro 18, 2007  
Anonymous Paula Cristina Vaz said...

Em relação às clínicas que refre, não é melhor mandar ficalizá-las em vez de liberalizar um crime? Sei que o argumeto já é velho, mas continuo sem perceber porque não legalizamos os assaltos, uma vez que pelo menos uma pessoa por dia é assaltada em Portugal! Ou ainda... porque não legalizamos a fuga aos impostos?

4:53 da tarde, janeiro 18, 2007  
Anonymous Anónimo said...

Vamos legalizar de imediato a interrupção dos assaltos até as 9 semanas, já!

4:13 da tarde, janeiro 19, 2007  
Anonymous Anónimo said...

Caríssimo,

Não é feio mandar acusações para o ar sem as tentar provar... minimamente?

Cadê essas clínicas? ainda por cima apoiadas por apoiantes do NÃO?? sinceramente.. tenha vergonha...

5:08 da tarde, janeiro 24, 2007  
Anonymous Ana Felix da Costa said...

Sou mãe de quatro filhos sendo a mais velha deficiente. Somos uma família, no seu verdadeiro significado.
Tenho imensos principios na educação dos meus filhos e quando não cumprem aquilo que peço ou aquilo que devem fazer já sabem que têm de acatar com as consequências, sejam elas castigos ou não.
Estou-lhes sempre a frisar: "Pior que a asneira é a mentira!, porque para a asneira conseguimos sempre arranjar solução ao passo que para a mentira Não!"
Tudo faz parte da educação. Se educamos que matar é crime não vamos agora desviar a atenção para este facto e tentarmos pensar nas consequências das "pobres coitadas"! Não faz sentido nenhum. Uma melhor, rapariga, adolescente... teve relações sexuais, ficou de esperanças e só então ficou aflita. Solução: abortar. Reacção: coitada tem de ir para a escada porque não tem dinheiro!
Não teria sido mais prudente e barato ter tomado a pílula? ou seja ter usado a medicina preventiva?
Enfim teve azar! Agora em que casos é que matar é solução? Ou será que pelo facto de não se conhecer a cara do bebé deixa de ser bebé?
Não faz sentido, a meu ver, este referendo.
Estão a desviar a questão:
Antes de penalização ou despenalização temos uma questão anterior e MUITO MAIS IMPORTANTE:
MATAR UM SERE
E pior de tudo, é que se pretende matar com qualidade. Extraordinário ao ponto a que chegámos.
Pensem bem. E tenham cuidado porque estão a desviar a atenção ao essencial da questão. MATAR.

12:01 da tarde, janeiro 28, 2007  

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