sexta-feira, novembro 17, 2006

"O papel da mulher"

A pergunta ao referendo é: "Concorda com a despenalização da interrupção voluntária da gravidez, se realizada, por opção da mulher, nas primeiras dez semanas, em estabelecimento de saúde legalmente autorizado?».
Aqui vou fazer uma concedência e uma crítica. Concedo que a pergunta não é das mais felizes. Vem trazer tudo o que foi mau na campanha de 1998, as meninas que defendiam o aborto nas ruas pelo único motivo que "ali" mandavam elas e assim podiam fazer lá o que queriam. Ao resumirmos a questão a isto estamos a minimizar o problema, toda a sua dimensão humana, passamos a ter o aborto sem causa, apenas porque a mulher quer e muito bem lhe apetece. E não é isso que se defende aqui.
Critico a questão de se reduzir a questão à "opção da mulher", porque como já escrevi aqui, os homens também têm uma palavra a dizer, afinal de contas, eles são os pais, ou não? Mais uma vez repito o que já disse acima, ao diminuir-mos a questão à opção da mulher, estamos a minimizar o debate. E isso não se pode fazer.
O que está em causa é a vida de duas pessoas, certo, a mulher e a criança. uma tem a opção, a outra não tem, depende da primeira. Por isso a primeira deve reflectir duplamente, e por vezes a posição do pai é importante.
Mas no fundo tem que se compreender a questão. Na minha opinião ao incluir-se a "por opção da mulher" está-se a dar uma dimensão penal, nomeadamente o aborto não autorizado pela mulher, que será crime se for forçado.
Apesar de tudo, espero, aliás, esperamos, que a questão não se centre em torno do "aqui mando eu", porque isso é mau e só afastará a população do tema.

2 Comments:

Blogger marta said...

Uma coisa é a campanha não se centrar no "aqui mando eu" outra é a pergunta estar ou não bem formulada.
Eu acho que está bem. Porque sempre, sempre em última análise quem decide é a mulher. O pai pode querer que seja feito e a mulher não, e vice-versa.
Não vale a pena escamotear a verdade. Não vale a pena mais hipocrisias.

2:58 da tarde, novembro 17, 2006  
Blogger Eduardo Pinto Bernardo said...

Cara Mfba:
Se eu digo que a campanha é centrada no "aqui mando eu ", é devido à má interpretação da questão, e tal como digo no fim, por exigencias penais tem que ser assim, quer eu goste quer não.
Depois citei o que disse no post que escrevi sobre o artigo da ÚNICA, porque um dos pais que contam como viveram a situação de aborto diz, a uma certa altura, que ele queria criar a criança, mesmo afastado da mãe, e teve que se conformar com o facto de não poder. Claro que não chego ao ponto de defender o que a Fernanda Cãncio, por exemplo ironizou no blog dela sobre o tema, mas acho que o pai, em certas situações, devia ser levado mais em conta.

cumprimentos

8:26 da tarde, novembro 17, 2006  

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