terça-feira, dezembro 05, 2006

De novo a Igreja

Através do BLOGUE DO SIM cheguei a este texto em o seu utor (vox patriae) resenrola uma série de argumentos em que explica como é que um católico não pode SIM, porque estará a ir contra as suas concepções. Não vou estar a falar mais nisso, já o fiz aqui, mas gostava de referir a opinião de um dos conferencistas do debate que houve esta tarde na Faculdade de Direito de Lisboa (à qual o meu colega não pôde por motivos de trabalho, mas eu fui), o Padre Mário Oliveira, que para quem não sabe, vota SIM (tal como muitos católicos).
Disse ele que vota sim porque, apesar de ser contra o aborto, tal como todos (acho eu!) são,o que está em jogo é se a mulher, só ela, tem a consciência de interromper a gravidez.E se toma a decisão de o fazer o Estado deve abrir-lhe a porta de um hospital para ela o fazer, e não atirá-la para o aborto clandestino e, assim, colocar não só a sua vida em jogo, como a possibilidade de nunca mais ter filhos. A mulher deve poder planear uma nova gravidez, mas uma gravidez quando ela quere dando à criança toda a possibilidade de viver uma vida digna.
Diz também ele que se a mulher aborta não deve ser presa e julgada por aborto clandestino, porque é o Estado que a atira para ele. É isto que está a ser discutido, se o aborto é só para ricos e os pobres são atirados para o "vão de escada". Porque a nova lei (a ser criada) não vai atirar ninguém para o aborto, épreciso ter consciência para tomar tal decisão, e a ser tomada o Estado deve estar ao lado da mulher, não a atirá-la para as mãos de "carniceiros" e depois julgá-la por isso.
É preciso defender a vida, é preciso apostar na prevenção, mas também dar condições para quem decide abortar.
Na parte final referiu um pequeno assunto que eu não queria trazer à baila nesta discussão, mas no fundo convém, porque eu sou católico,e ser católico é seguir a palavra de Deus e não dos bispos. Mário Oliveira referiu isto : ainda hoje a mulher que aborta é excomungada por o fazer, mas não é por deixar levar a gravidez até ao fim e depois matar o bebé quendo ele nasce. É crime, tal como são crimes os homicídios, os massacres pelos ditadores etc etc Mas valem eles a excomunhão? Não. O aborto vale. Tirem daí as conclusões que quiserem.

5 Comments:

Blogger David Cameira said...

dE FACTO O QUE PODERIA DIZER O pADRE mÁRIO DE oLIVEIRA, ESSE GRANDE EXPOENTE DA TEOLOGIA E DA ÉTICA CATÓLICA????

De facto ele tem-se tornado uma personagem curiosa dentro do Catolicismo pelas seguintes razões:

Não está excomungado e " demitido " do sacerdócio por " preguisa " tolerante dos seus superioeres hieraquicos que , com isso encetam mais uma manobra de Marketing ( de notar q há mais de 20 anos a u´nica relação q ele tem com a Conferencia Episcopal Portuguesa e o slário que de lá recebe dado q não lhe foi atribuida nenhuma responsabilidacde pastoral desde há vastos anos )

Dedica-se, em exclusivo, ás " comunidades eclesiais de base " - designaçao oficial das celulas da organização institucional da Teologia da Libertação e ao jonal oficial desta- O FRATERNIZAR - onde ataca todos os dogmas catolicos, a começar por fatima - pedra de toque do catolicismo portugues.

Seia de espantar e q disse-se NÃO pois que ele está para a Igreja catolica de hoje , e se calhar de sempre.. pelo menos desde q começou a pregar o pacifismo como capelao militar em Africa, foi " visitado " pela PIDE e coisas do genero que assim é, como Maomé está para o Toucinho

Já Norberto Bobio, que não é católico e sim ateu ou pelo menos céptico, é contra o aboto em qq circunstancia por raoes q se prendem com a sua filosofia jusnaturalista racionalista

( de resaltar que o DR GARCIA PEREIRA do MRPP diz NÃO a este como ao outro rferendo porque entende que deve ser o poder politico a encetar a despenalização )

Espero ter desconstruido esta falácia

4:31 da tarde, dezembro 06, 2006  
Blogger Eduardo Pinto Bernardo said...

ok, entao vamos lá ver o que eu disse:
eu disse que o padre disse uma coisa com que eu concordava. Não disse que o que ele diz é uma verdade universal e que todos devem acatar. Por acaso ouvi o que ele disse e lembrei-me de pontos com os quais eu concordo. e achei curioso por ele ser padre e dar a cara pelo seu sentido de voto. pode ter a certeza que eu conheço mais que pensam assim, mas não se manifestam.
o que eu também não disse foi que era preciso ser cristão para votar sim ou não, aliás discordo completamente que a Igreja se venha meter na conversa porque este é um tema da sociedade civil no qual a igreja não se deve meter.
Quanto à opinião de garcia pereira eu estou de acordo com ele. Também eu acho que esta questão devia ser resolvida no parlamento, e não em referendo, mas já que ele está aqui, há que votar e apelar ao voto.

10:24 da tarde, dezembro 06, 2006  
Blogger Joana Veigas said...

Peço desculpa por me intrometer neste blog... Mas... Sinceramente... Só tenho umas pequenas coisinhas a dizer quanto à Igreja... Quando diz que a Igreja não tem que se meter neste assunto porque é uma questão política...
O que tenho a dizer (posição da Igreja)... É que dizer sim ao aborto é a mesma coisa que desrespeitar o Mandamento da Lei de Deus: "Não Matarás"... E digo isto porque um suposto cristão... Deve saber interpretar o que vem na Bíblia... E a Bíblia apela à VIDA...
É só isto que lhe quero mostrar... Pois se dão o direito de intervir... A Igreja está incluída no mesmo... E tem direito a defender o que vem no Livro Sagrado...
O resto só o futuro dirá... E o NÃO continuará a lutar pelo que crê ser o correcto...

1:46 da manhã, dezembro 30, 2006  
Blogger Joana Veigas said...

Peço desculpa... Disse uma coisa errada... Você não tinha falado em política... Tinha falado em sociedade civil... (Só para depois não dizer que eu andei a escrever coisas que não tinha dito)... Peço desculpa por tal erro...
A acrescentar... Uma sociedade civil tem que ter princípios... Pois sem princípios seríamos todos uns selvagens... E cada um andava neste mundo a fazer o que quer e que bem lhe apetece...

1:50 da manhã, dezembro 30, 2006  
Blogger Eduardo Pinto Bernardo said...

Cara joana
breves notas:
-sim, sou cristão, não sou suposto, sim, li a bíblia, sim,ela apela à vida. Mas deixe-me contar-lhe uma história rápida de uma conversa que tive há dias com um padre e um futuro bispo. Falávamos sobre o tema. Falávamos sobre a situação extrema que é fazer um aborto e o padre dizia que ao olhos de Deus uma mulher que aborta não pode ter perdão e não está nas mãos de nenhuma lei humana pode perdoá-la. Eu disse-lhe que a lei de Deus se cumpre perante Deus e não se pode impor a um estado laico que acate as leis da Igreja. Ele responde-me que o aborto é um crime tão grave que é uma das situações de excumunhão. e eu disse-lhe se não era tão grave uma mulher abortar como é uma mulher matar um filho enquanto criança, depois do parto, ou mesmo matar um ser humano, e se é, porque é que quem comete tal atentado à Vida não é excomungado?
A resporta dele foi o silêncio enquanto o outro respondeu. Deus os julgará na altura devida.
Eu só digo uma coisa porque é que não se aplica o mesmo a quem aborta? porque é que não deixamos a lei de Deus para quem tem fé e a cumpre, e a lei dos homens para a soceiedade? eu sou critão. A lei de Deus está em conflito com a lei dos homens. o que fazer? eu prefiro votar sim, prefiro dar à mulher que decide abortar as condições para o fazer do que criar mais desigualdades sociais a permitir que umas o façam em segurança e outras o façam arriscando a sua própria vida, prefiro ser humano. Se isso me faz um mau cristão, que faça, continuo a ter a minha fé. Mas pergunto se algumas posições da Igreja católica como a recusa do preservativo ou da pílula (que , aliás esteva para ser aceita nos meados do séc XX depois de um relatório inédito elaborado pelo que viria a ser o papa João Paulo I, mas foi recusado pelo papa Paulo VI apesar da aprovação pela Cúria)não levam a mais mortes do que o aborto. Talvez seja um mau cristão, talvez não seja o único, mas prefiro estar bem com a minha consciência e com a minha fé, do que com as leis da Igreja.
(ps: eu sei que me desviei bastante do que você disse, mas tava a precisar de dizer isto, e não tem nada que pedir desculpa, é sempre bem vinda)
Cumprimentos

4:50 da tarde, janeiro 03, 2007  

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