sexta-feira, dezembro 08, 2006

Resposta

A memória já não é o que era e ando desde terça-feira para colocar este post.
Na dita conferência perdi a minha habitual timidez e coloquei duas questões a Pedro Pestana Bastos da Plataforma Não Obrigado!, às quais ele não me respondeu directamente escapando-se com ataques aos resultados práticos a que uma vitória do SIM no referendo pode levar.
Como ele não respondeu, não fiquei satisfeito, pode haver algum dos nossos leitores que defendem o NÃO, e que eu muito respeito (porque assim se discute um assunto), me responda.
As questões eram:
-Acha mesmo que uma vitória do NÃO no referendo vai acabar com o aborto em Portugal ou vai levar a uma separação entre pobres e ricos neste questão? Recorrendo uns (os ricos) ao país vizinho, e outros (os não-ricos) ao aborto clandestino.
- Se o NÃO vencer quais são as suas ideias, e as da sua organização, para terminar com o aborto clandestino?

8 Comments:

Anonymous Alice said...

Caros,

O meu testemunho vale o que vale.

Mas relativamente à questão do país vizinho, deixem-me dizer que em 1997 em fiz um aborto (ilegal) em Portugal.

Custou, na altura, 175 contos. Tive duas consultas antes (para fazer ecografia, análises, consulta específica com a anestesista, etc.).

Depois, fiz o aborto. Estava presente uma obstetra, uma anestesista e uma enfermeira.

Estávamos todos com batas esterilizadas e todos os equipamentos e utensílios eram "médicos". A sala era uma sala de partos.

Quando o aborto terminou fui para o recobro. Quando acordei, deram-me chá e bolinhos. Pude sair, apenas, quando já estava totalmente recuperada.

Tomei não sei quantos medicamentos, nas semanas seguintes e fui a mais três consultas. A primeira no dia seguinte. A segunda duas semanas depois e a última dois meses depois do aborto.

Eu estava grávida de 8 semanas.

Isto foi feito em Portugal e bastou perguntar a uma amiga se conhecia algum sítio.

Nunca me pareceu obrigatório ir a Espanha. Em Portugal, na altura e agora, não há só vãos de escada.

10:51 da manhã, dezembro 09, 2006  
Blogger Eduardo Pinto Bernardo said...

Cara Alice:
Obrigado pelo seu testemunho.
Permita-me apenas uns comentários
É óbvio que não há só "vãos de escada", mas há a separação efectiva entre quem tem dinheiro para abortar e quem não tem. Pegando no seu exemplo posso ver que para ter acesso às condições para fazer o seu aborto(clandestino) teva que pagar 175 contos. Ora se fosse hoje em dia pagaria talves o dobro. Pois quem não tem tal possibilidade financeira tem que se submeter às condições para as quais tem dinheiro, e na maior parte dos casos, são nenhumas. basta ver o exemplo que eu demonstrei num dos primeiros posts em que um casal não tinha dinheiro para pargar a uma clínica cá em Portugal e teve que recorrer a um médico e uma enfermeira para os lados de Benfica, e depois de terem feito o aborto ela descobriu (5 meses depois) que continuava grávida e o bebé acabou por morrer no parto.
São casos destes que queremos evitar não é com a penalização que se resolve o assunto.
cumprimentos

2:59 da tarde, dezembro 09, 2006  
Blogger BeHappy said...

Boas perguntas!
Também estou curiosa para saber a resposta dos defensores do não...!

9:04 da tarde, dezembro 09, 2006  
Anonymous Anónimo said...

Caro EPB,

Eu concordo com o que disse relativamente à separação entre ricos e pobres nesta questão, isso não está em causa.

Apenas disse o que disse, porque às vezes parece-me que as pessoas pensam que em Portugal só há vãos de escada (porque é mais cómodo para algumas pessoas pensar que assim é!).

Quando oiço dizer que depois vão aparecer umas quantas Clínicas dos Arcos dá-me vontade de rir (se é que isto dá para rir...).

Essas "Clínicas dos Arcos" já existem e a divisão entre ricos e pobres também já existe e não é preciso ir a Espanha.

Alice

1:16 da tarde, dezembro 10, 2006  
Anonymous Anónimo said...

Nem uma vitória do SIM, nem uma vitória do NÃO acabará com tais problemas. Qualquer pessoa sabe isso. Em França e em Espanha também há abortos clandestinos sabia?

9:32 da tarde, dezembro 12, 2006  
Blogger Eduardo Pinto Bernardo said...

sim sabia caro anónimo. mas como dizem os defensores do Não, o caso português é que importa.
Já agora importa realçar que nenhum dos defensores do Não respondeu às minhas perguntas. Gostava de saber porquê.

9:52 da tarde, dezembro 12, 2006  
Anonymous Anónimo said...

Estou a ver que o problema é seu porque não percebe as respostas que lhe dão. A sondagem de hoje, fala disto. Informe-se caro epb.

6:05 da tarde, dezembro 13, 2006  
Blogger Eduardo Pinto Bernardo said...

Caro anónimo: na minha resposta anterior falta lá um "mais" antes de nenhum. foi lapso, só dei conta agora. aliás você respondeu, não tinha como dizer que ninguém respondeu.
Por acaso ainda não li o estudo, lisó os resumos, mas sim, sei que fala de aborto clandestino

8:18 da tarde, dezembro 13, 2006  

Enviar um comentário

<< Home