quarta-feira, fevereiro 07, 2007

Votas? Não, não posso!

Acho inequívoco que interessa às duas partes deste referendo que a votação seja expressiva e se atinja o ponto de vinculatividade, pois aí a decisão deixará de ser do político, pois foi adoptada pelo povo no voto, e arruma-se de vez a questão.
Mas parece que neste país em que a população está tão afastada da decisãom política e cada vez mais os níveis de abstenção crescem (seja e que eleição forem) não se está muito importado com o facto da abstenção neste referendo contar ou não.
Primeiro porque os portugueses que estão no estrangeiro a trabalhar, estagiar, estudar não podem votar. Não podem votar porque a Constituição prevê que eles possam ser consultados no caso da questão a referendar seja do seu interesse a o nosso decisor entendeu que nesta caso não é. E atenção, não estamos a falar de pessoas que moram no estrangeiro e têm nacionalidade portuguesa, estamos a falar de pessoas que dentro de meses vão voltar ao páis onde a proposta que vai ser referendada está a ser aplicada. Convém dizer que os militares e o pessoal consular pode votar. Parece que há cidadãos de primeira e segunda.
Depois vêm os jovens que estão a estudar no continente e moram nas regiões autónomas e não têm meios de se deslocar às ilhas para irem votar. Pois, ao contrário do que ocorre na maior parte das eleições desta vez não podem votar por carta.
Perguntam, mas se tal pessoas estão impedidas por lei de votar , então não contam como população eleitoral. Mentira. Contam para abstenção, tão pura e simplesmente. Eles e todos os que votam em branco e votam nulo. tudo conta para abstenção.
É bem triste que pessoas que querem exercer o seu direito de voto não possam fazê-lo e depois o seu voto ainda conte como abstenção. Mas são as leis que temos, para o país que temos.

2 Comments:

Anonymous Anónimo said...

O documento que segue é a transcrição de um editorial da edição clandestina portuguesa do Jornal «Avante!» - Órgão do Partido Comunista (4ª Semana de Novembro de 1937)


Editorial

Resposta da Direcção

PORQUE É PROIBIDO O ABORTO NA URRS?

Damos imediata resposta a esta pergunta, formulada por algumas operárias do Barreiro. O aborto é um acto inteiramente anormal e perigoso, que tem roubado não poucas vidas e tem feito murchar não poucas juventudes. O aborto é um mal terrível. Mas, na sociedade capitalista, o aborto é um mal necessário, inevitável, benfazejo até. Na sociedade capitalista um filho significa, para os trabalhadores, mais uma fonte de privações, de tristezas e de ameaças. Quem tem filhos — diz-se — tem cadilhos. Pode-se imaginar algo mais doloroso que uma família de operários obrigados a sustentar, dos seus miseráveis salários, 5 ou 6 filhos? É a fome, o raquitismo, a tuberculose, a tristeza da vida, vivida em promiscuidade. E que futuro espera essas crianças? Serem uns desgraçados… como dizem as nossas mulheres. Por isso a mulher do [?] capitalista é obrigada a sacrificar o doce sentimento da maternidade , é obrigada a recorrer, tantas vezes com o coração sangrando, ao aborto. Por isso, a proibição do aborto, na sociedade capitalista, é uma hipocrisia e uma brutalidade. Na URSS, a situação é tão diferente como é diferente a noite do dia. Na URSS não há desemprego, não há miséria; há abundância de produtos. Tanto a mulher como o homem recebem salários que satisfazem as necessidades. A mulher grávida tem 4 meses de férias durante o período da gravidez, com os salários pagos. Há maternidades, creches, jardins de infância e escolas por toda a parte. O Governo soviético dá prémios que vão até 5 mil rublos para as mães que tenham mais de 5 filhos, etc. Ser mamã é uma das maiores aspirações das jovens soviéticas. ?E onde há uma esposa que não quisesse ser mamã sabendo que o mundo floria para acolher o seu menino? Sabendo que o seu filho não seria um desgraçado mas um cidadão livre da grande República do Socialismo? A criança, na URSS, deixou de ser um motivo de preocupações, para se tornar numa fonte luminosa de alegria e de felicidade. O aborto perdeu portanto a sua única justificação; tornou-se desnecessário. Por isso, o Governo Soviético resolveu propor ao povo trabalhador, a abolição da liberdade de praticar o aborto — liberdade essa concedida a título provisório, nos primeiros tempos da República Soviética quando esta gemia sob o peso da fome e da peste, ocasionadas pela guerra e pela contra revolução capitalista. Depois de discutirem amplamente a lei proposta pelo Governo Soviético, as mulheres e todo o povo trabalhador aprovaram essa lei que correspondia inteiramente às condições de existência livre e feliz que gozam os que trabalham na grande Pátria do Socialismo triunfante. .

FAC-SIMILE DO jornal AVANTE! (4.ª semana de Novembro de 1937)

2:56 da tarde, fevereiro 08, 2007  
Anonymous Pedro Cunha said...

Então e se uma soviética não quiser ter o seu filho? porque é que passou a ser proibido???
Não continua a mulher a ter opção de decidir???
Não percebo onde é que este último comentário quer levar: se é pelo sim, não chega lá, porque a URSS fez o caminho inverso que Portugal quer fazer!
Mas se o aborto é a solução para as crianças que nasçam em más condições e cujos pais não têm todas as condições para as sustentar mais vale reunir todas as grávidas dos campos de refugiados do mundo, todas as grávidas de África e talvez algumas de Portugal para colectivamente lhes ser aplicada a interrupção da gravidez, para os seus filhos não serem condenados a nascer para a fome!
No fundo, nenhuma mãe devia ter filhos, porque ao tÊ-los já sabe que eles um dia vão morrer, e vão sofrer bastante provavelmente com uma doença!
Estamos a entrar numa perversão do sentido das coisas: o aborto é livre por dá cá aquela palha, e por opção da mulher (a criança foi feita sem pai!), na Suiça querem o suicidio assistido para doentes mentais porque como vão ser "tontinhos" toda a vida e já não há remédio mais vale matar, qualquer dia vão matar os velhos, esses inválidos que despejam os cofres do estado com as reformas e seguranças sociais!
Às vezes dá-me a impressão de que as ideias de Hitler voltaram e em força! Mas mais disfarçadas! Agora a raça perfeita não é a ariana, é a que nasce sem defeitos (por isso o aborto eugénico), aquela que pode dar aos filhos muitos brinquedos e Nintendos, aquela que tem que ter micro-ondas, cinco televisões e outras tantas coisas que nos fazem TANTA FALTA para viver, mas no fundo não são o que mais interessa nem o que traz felicidade! Se fosse ter dinheiro, olhos azuis e cabelos loiros que desse a felicidade (atenção aos que querem passar a mandar vir por encomenda os filhos) na Suécia não se suicidavam aos mil! Entramos numa sociedade onde o que não é perfeitinho (à minha medida) não serve e deita-se fora! Não foi isto que fez o III Reich?
Cumprimentos a todos os que fazem e comentam este blog,
abraços.

6:02 da tarde, fevereiro 08, 2007  

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