quarta-feira, novembro 22, 2006

Conversas no Café

Seriamos cerca dez pessoas sentadas à mesa. Eu e o meu colega blogger estávamos lá. Sobravam oito.
Como indivíduos pertencentes à classe dos universtarius curiosus, o momento era interessante tomar o pulso à vontade dos meus pares e saber em que pé andava a preferência pelo SIM.
- 2 Não;
- 2 "Branco", ou seja, ainda não se decidiu
- 6 Sim
Não fiquei desagradado, mas fiquei com medo. Se o referendo tivesse estes resultados, estaria eu, e todos os que nisto estão, bem mais satisfeito com a sociedade circundante.
Mas não.
São certezas que levam a derrotas.
Tentei, por outra altura, já aqui há algum tempo, fazer a mesma pergunta, mas aos meus familiares mais velhos. Mudou, quase radicalmente. Para além de mim, só mais umas almas me acompanhavam, com 12 pessoas em redor de uma mesa.
Teoricamente, haveria um empate, certo? Errado.
A população mais velha vota porque tem outra percepção da responsabilidade. Não é que os novos não votem...Mas votam muito menos. O Não ganhava...
Outro paradoxo, mas compreensível.
Quando pergunto, porquê votar no SIM, a respostas são várias e todas válidas. Multiplicam-se os argumentos, as explicações. Há, todavia, um denominador comum: a saúde da mulher, mental como física.
O mesmo não sucede com o NÃO. Por mais voltas que o mundo dê, vão-me sempre dizer que o Ludwig nasceu deficiente, e foi um génio. Vão sempre dizer que uma criança é sempre bem vinda. Enfim, só há um argumento: a vida humana.
Mas, só pode haver uma resposta: existe? E não, não é uma pergunta.

4 Comments:

Blogger BeHappy said...

Pelo que eu percebi, voçês são da universidade de Direito de Lisboa... Hoje houve um debate sobre o aborto e o referendo, lá ao lado, na fac. de Psic e ciencias da educação. Tenho pena por não ter podido ir... acho que deviam fazer mais destes debates, para esclarecer alguns jovens e fazer ouvir as suas opiniões... Pensem nisso...! ;)

10:38 da tarde, novembro 23, 2006  
Blogger Лев Давидович said...

Ok. Pela faculdade de Direito que frequentamos, sei que haverá um debate, em data próxima ao referendo. Avisaremos quando estiver fixada.
Thanks 4 stopping by!

12:51 da manhã, novembro 24, 2006  
Anonymous Fernando Alves said...

Se ler blogues a favor do não constata facilmente que há muitos mais argumentos além do que referiu e mesmo que fosse é esse (o da vida humana) não seria suficiente? Não é uma razão válida?
E quem ganha o debate é quem tem o maior número de argumentos ou quem tem os mais válidos?

Perguntou no final se existia vida, percebi bem? Ao que parece é estudante de direito. Quer isso dizer que define vida com base no que a lei diz? E o que diz a lei sobre isso?

A minha opinião, que sou licenciado em biologia: sim, é vida. Acredite!

Parabéns pelo blogue

12:58 da manhã, novembro 24, 2006  
Blogger Лев Давидович said...

Caro Fernando Alves, obrigado por passar por cá. Gostei bastante do que disse, mas não concordo.
Vamos por partes:
Eu não perguntei se havia vida, alias, até disse que "não é uma pergunta". Apesar de lá ter a interrogação, não é. Calculo que seja muito competente na sua area, decerto que tem muito mais autoridade para falar do que eu, nesta matéria específica, mas há médicos que estarão comigo, outros consigo. Haverá filósofos comigo, outros consigos. Haverá colegas meus consigo e outros comigo. Só queria que ficasse expressa uma coisa: ninguém pode ter certezas de qualquer espécie.
De qualquer maneira, parece-me nobre defender o que defende. Só que o Fernando defende-o noutro prisma. Eu dou relevo a todas as partes na matéria, o dr. só olha para uma. Aqui, ponderam-se todas as razões e mais algumas, todas as matérias envolvidas, tudo. O Fernando, como todos os defensores do não, baseiam-se na hipotética vida do nascituro, e tentam-se limitar uma sociedade por ela.
Outra coisa: não é ter mais ou melhores. É ter os argumentos que decidem a razão da matéria, é perceber de que lado está a verdade. O caro comentador tem um pseudo-argumento.
Por fim, quanto á abordagem da lei ao tema, devo dizer-lhe que é muito complexo. Se tiver oportunidades, recomendo-lhe a leitura do artº24 da crp e o 66 do Código civil, juntamente com os outros artigos que citei num post meu.
Fico muito feliz que venha ter connosco e queira debater o tema com seriedade e serenidade. Aguardo posteriores comentários do nivel desse.

9:16 da tarde, novembro 24, 2006  

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