quarta-feira, janeiro 10, 2007

Interrogações

Naturalmente, para os apoiantes do NÃO, o que escrevo a seguir não merece, sequer uma resposta. Mas esta interrogação vale para os apoiantes do SIM, para que se perceba a extenção da IVG.
Vamos à questão em modos práticos. A é o Homem e B é a mulher.
B engravida. A quer ter o filho, mas B não.
B engravida. B quer ter o filho, mas A não.
Como resolver?
Poderia escrever algumas linhas de meditação sobre o assunto, todavia, tudo se resumiria a perceber que se o Pai quisesse ter o filho e a Mãe não, esta última teria sempre a palavra final. Caso contrário e a verdade ainda seria a mesma. Há ilações a tirar.
A primeira é saber que o Pai tem um papel imprescindível na concepção da criança, como a Mãe tem, mas que a sua vontade conta mesmo muito pouco. Não me parece nada justo.
O tema da IVG é crucial, como já tenho dito, para se perceber o grau de desenvolvimento do país em que vivemos. Por maioria de razão, será uma questão essencial na vida dos progenitores do nascituro. Assim sendo, não pode ser tomada de ânimo leve. Sê-lo-ia se todo o poder decisório se centrasse na "Mãe", abrir-se-iam as portas de um livre-arbitrio perigoso, o que, no fim de contas, levaria os defensores do NÃO a provar o seu "argumento" baseado na tese de a resposta à pergunta sobre a IVG ser um meio de liberalizar o aborto ou um método contraceptivo.
Como problema nevrálgico, há que tomar cuidado. Se A quer ter a filha e B não, não concordo que haja possibilidade de existir Interrupção Voluntária da Gravidez. Se há essa predisposição de B é porque há hipóteses consistentes de fornecer à futura vida uma existência condigna, de conforto, amor e carinho.
Todos sabemos o que leva as mulheres a abortar. A falta destes quatro pressupostos é uma minúscula parecela de todos os motivos. Mas se há alguém que possa colmatar a falha, então pense-se melhor. No fundo, a decisão deve ser conjunta. Devem ambos ter um papel central. Têm que ser extintos os desequilíbrios que se geram nos papeis de pai e mãe. Ambos são essenciais.
O que quero aqui exprimir é o seguinte: os defensores do SIM não pretendem nem a leviandade, nem a ligeireza no tratamento da questão. Exige-se coerência, consciência percepção da realidade e sobretudo meditação. A nós cabe pugnar pela defesa da escolha, pela defesa da dignidade humana a todos os níveis.

6 Comments:

Anonymous confratis said...

Que estranho... significa então que vai votar não no referendo? É que na pergunta diz que decisão é exclusiva da mulher.

E pergunto: fala-se de parceiro e parceira. Mas, e se eles forem casados? Pode a mulher abortar sem sequer dizer ao marido que estava grávida dele?

2:03 da tarde, janeiro 12, 2007  
Anonymous William Of Baskerville said...

A mulher pode decidir o que fazer ao seu corpo, mas um feto não é o seu corpo.
A vida é um dom que não nos pertençe, somos dela apenas depositários, pois não a criámos, apenas a recebemos e a legamos.

A mulher, per si, não gera vida, precisa de outrém e, mesmo os dois (homem e mulher) não fabricam vida, não determinan o DNA, a altura, cor do solhos e características endógenas do feto que virá a nascer, pois apenas possibilitam através do acto sexual que a vida venha a fluir.

Foi dito que os cientistas não se colocam de acordo quanto a saber-se quando começa a vida humana. Nada mais falso. Sabe-se perfeitamente quando começa, isso estuda-se em medicina, em ética e deontologia.
E mesmo aceitando o argumento dos adeptos do sim, quando se pode determinar quando é, ou deixa de ser, vida humana?
Se é sabido que antes das 10 semanas já bate um coração, já se registam impulsos eléctircos no cérebro....... quando determinar? Antes do bébé ouvir e reagir no ventre de sua mãe?
Qual a diferença entr eum bébé nascido com 2 meses (idade da minha filha mais nova) e um adulto de 30 ou um velho de 90?
Qual é mais....humano? O que ainda não pensa nem raciocina (quase só sente e reage), o que está na plena faculdade intelectual e física ou o decrépito que definha?

É caricato apregoar-e que serão os médicos a realizar esses abortos (tão eufemisticamente apelidados de “interrupção voluntária da gravidez”) quando estes fizeram o juramento de hipócrates que contempla a defesa da vida intra-uterina: do feto.
Alguns, vejam bem, querem agoroa altera ro dito juramento, esquecendo-se que não é retroactiva uma eventual alteração!!!! Que nem faz sentido!!!

O feto é vida humana! Carrega em si todo o património e características genéticas do indivíduo, desde o seu grupo sanguíneo, características físicas, etc., não é qualquer produto que se deita fora quando já não dá jeito.

Também não deixa de ser caricato, estúpido até, que se apregoe que cabe à mulher decidir quanto à vida que ela carrega no seu ventre (e repito: carrega, transporta - porque a natureza dita que é temporário, o que significa que são seres diferenciados e não a mesma vida), quando o progenitor também é parte envolvida.
Num casal, quando é preciso alienar um bem comum, é preciso o consentimento dos dois (vender um carro, uma casa, etc.), mas para se desfazer de uma vida, já só a mulher decide! Essa é boa (não é boa, é estúpida, isso sim)!
Mas não comparemos uma vida com um bem de consumo, porque a vida não se compra, porque não está à venda!
Um feto não é um dente que se extrai porque dói (e este só se tira se não houver remédio em termos odontológicos)!

Foi aqui dito que não se trata de homicídio! Pois não, trata-se de assassinato deliberado!
O aborto apregoado (e não confundir com os casos já previstos na lei: violação, mal-formação do feto, perigo clínico para a mãe….) é apenas um acto cobarde de quem não assume que não foi responsável e sacode a água do capote.

Importante seria apoiar a maternidade, implementar medidas sociais de apoio às mães, de educar para uma sexualidade responsável, ao invés de querer remediar desta maneira.
O problema não está no telhado, mas nos alicerçes, mas querem continuar a debitar medidas avulso e remediativas que nunca resolverão algo que se situa na raíz.

Há que ser profilático do que depois ter-se de recorrer ao paliativo.

A vida não é um brinquedo, principalmente a que não é nossa (repito: o feto é uma vida, não a vida dos progenitores).

A irresponsabilidade de muito boa gente (mulheres e homens) não deveria ser transformada em algo aceitável e banal.
A cobardia não é virtude, nem a falta de bom senso o é, sejamos pois defensores coerentes da responsabilidade e honestidade.

Saiba-se aceitar o erro e assumir as consequências do mesmo, porque a vida gerada é, ela própria uma oportunidade de remissão pessoal. Não seja somado um erro a outro bem pior. Um segundo erro não transforma o primeiro numa boa acção. Neste caso particular, até o eleva a crime monstruoso.

Icomoda e horroriza um pedófilo molestar um bébé de 2 anos, um pai e/ou mãe maltratarem uma criança, os nazis matarem espartanamente, durante a IIª Guerra Mundial, os deficientes, mas matar um ser indefeso só porque ainda não está desenvolvido já não incomoda!
Esse é um belo exercício de coerência!

- Mas, afinal, quantas mulheres foram sujeitas a penas de prisão até agora, por abortarem?
Não se incomodem, eu respondo:
- Nenhuma!!!!

A ida para a prisão das que abortam voluntariamente (tipo: "é pá, não me apetece, vem em má altura, vou deitar pro lixo!") é o argumento do "SIM", da despenalização (como se fosse acreditar nisso que é só por razões jurídicas ou penais).
Ou seja, o argumento que defende que as pessoa snão devem ser responsabilizadas pelos seus actos.
Bater nuam criança pode dar cadeia.......... matar um bébé no ventre de sua mãe......... é como vomitar um prato mal digerido!

A Mãe que rouba para dra de comer ao filho tem atenuantes, mas não deixa de ser crime!!!!
Mas não roubaria se fosse apoiada!

Mas, afinal, quem lidera o movimento "pro despenalização"? São mulheres que foram encarceradas ou julgadas? Ou serve esse pretexto para causas políticas ou demissão da responsabilidade que temos todos como pessoas perante a vida, perante a lei, perante os outros (sociedade)?

A moldura penal até está em revisão, visando substituir penas de cadeia até 3 anos por serviço comunitário ou equivalente. Afinal por que lutam os adeptos do "SIM"?


Não é por haver abortos legalizados ou despenalizados que se acaba com essa realidade. Mas ninguém pensa em solucionar de raíz.
Não são as classes mais desfavorecidas que mais abortos cometem, ao contrário do que querem fazer passar. Não se fale, por isso, em saúde pública quando querem limpar a saúde a seres indefesos.
O que muito boa gente quer é não ter de se incomodar em ir ao país vizinho (ou outro) abortar e, por isso, pretendem facilitar o “franchising” das clínicas “abortadeiras” cá em Portugal, porque sempre poupam tempo nas viagens (só não pensaram que o IVA cá é a 21%, ou até pensaram - por isso querem que seja o sistema nacional de saúde, ou seja NÓS, a custear matadouros).

Pensei que a pena de morte tinha sido abolida há muito.

Uma nota final:

Alguns grupos “pro aborto” escandalizaram-se por circularem, em determinados sítios, imagens de fetos abortados.
Engraçado que parece que não incomoda tanto quanto imagens de pullmões (e não só) de cadáveres de fumadores em maços de cigarros.

7:36 da tarde, janeiro 12, 2007  
Anonymous confratis said...

Caro William,
nem sei porque razão argumenta. Está mais que visto que os autores deste reles blog não possuem inteligência suficiente para contra-argumentar.

Sabe, o problemas deles é que só defendem o aborto porque é fixe e fá-los parecer evoluídos.

2:32 da manhã, janeiro 13, 2007  
Anonymous lev_davidovich said...

E pelos vistos o confratis gosta de sítios reles.
Os defensores do NÃO são aquele petisco para os economistas: Com o incentivo certo, todos adoptam certas condutas. O vosso incentivo é saber que vão perder nas urnas e nem a abstenção vos safa desta vez. É impressão minha, ou os vossos nervos estão à flor da pele?
William, acompanho o seu raciocínio até à primeira linha apenas, por um motivo: os defensores do SIM, pelos menos aqueles com os quais me identifico, nunca disseram que o feto é parte da mulher. Para o que pensamos, está em jogo algo muito diferente, para o comprovar tem a situação do R.U, que autoriza a IVG até bem mais tarde. Por outro lado, não afirme com essa peremptoriedade que os cientistas têm a certeza de quando começa a vida humana. Conheço médicos e cientístas que lhe dão datas diferentes.

12:08 da tarde, janeiro 13, 2007  
Anonymous Anónimo said...

A vossa sondagem vai ser tirada do blog reles, é verdade? Estão na verdade a fazer propaganda para o NÃO?

4:30 da tarde, janeiro 19, 2007  
Blogger Лев Давидович said...

Há gente a mais a gostar de blogs reles.

2:57 da manhã, janeiro 21, 2007  

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